Majestosa Procissão em honra de São Bartolomeu

«Somos Igreja que Evangeliza»

Assim como uma romaria é definida em razão da fé dos romeiros, assim também uma procissão só se compreende enquanto manifestação pública da fé, testemunho de adesão a Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

Por mais voltas que a vida dê, o caminho da santidade é, para o cristão, um desígnio de salvação. Por isso, em todos os tempos e lugares, muitas foram as vidas que se juntaram a esta peregrinação em ordem à Jerusalém celeste e que apenas deixaram para trás as páginas do Evangelho por que deram a vida, ora manchadas com o seu sangue, ora consumidas pela meditação e oração contínuas, em qualquer dos casos susceptíveis de inflamar o coração de outras tantas até aos nossos dias.

«Somos Igreja que Evangeliza» não só é o tema do segundo ano do jubileu da criação da Diocese de Viana do Castelo, proposto pelo Bispo Diocesano, D. Anacleto Oliveira, na sua Carta Pastoral, como também é o fio condutor do ordenamento da procissão que junta as paróquias do Arciprestado de Ponte da Barca à paróquia da vila para celebrar a festa litúrgica de São Bartolomeu.

A santidade do Evangelho, suscitada pelos santos e pelos movimentos de santidade na Igreja, está na génese de muitos modelos culturais e desenvolvimentos de humanidade no caminho da história. Por isso, a herança dos santos deve ser motivo para um «perene dever de gratidão» e um «renovado propósito de imitação» (João Paulo II – Novo millennio inuente, n.º 7).

Neste sentido, cada paróquia traz consigo, juntamente com a cruz paroquial, o estandarte da sua identidade cristã, a memória de um dos predilectos de Cristo que alcançou a graça da santidade muito por força do seu carácter evangelizador. Em alguns casos é o próprio padroeiro da comunidade. Noutros, é simplesmente o testemunho de uma vida santa e devotada ao Evangelho, fonte de inspiração para muitas devoções particulares.

Ao evocar a Virgem Maria e todos os santos, a procissão organiza-se como uma autêntica ladainha, que, por um lado, convida a endereçar a prece «Rogai por nós» e, por outro, a incorporar o movimento de santidade, à luz do Evangelho, como herdeiro de um testemunho que, ao longo dos tempos, foi passando de mão em mão.

Desdobrada em duas partes, abre a primeira com um quadríptico figurativo da vida de Frei Agostinho da Cruz (1540-1619), natural de Ponte da Barca, religioso franciscano e poeta de uma profunda espiritualidade, irmão de Diogo Bernardes, aqui lembrado no âmbito das comemorações centenárias do nascimento e morte.

Na segunda parte alinham-se aqueles que, na sua vida, acolheram a «Luz do Mundo», que é Cristo, e, por Ele, se converteram em verdadeiros cristóforos, portadores da luz de Cristo destinada a iluminar todos os povos, e instrumentos de santidade através dos caminhos da evangelização.

 

I.

1.º quadro: Agostinho Pimenta, poeta (1540-1560)

«Nasci junto do Lima saudoso,
Donde nunca já mais falta verdura,
Levou-me sem saber minha ventura,
Que fosse, ou que não fosse venturoso».

2.º quadro: Frei Agostinho da Cruz, religioso franciscano (1561)

«Nasci e renasci na casa em dia
De Santa-Cruz, da Cruz o nome tenho.
Tenho quem nela foi morto por guia,
Nas entranhas abertas me sustenho,
Que não póde cerrar quem as abria:
E quando neste passo me detenho
Gemendo e suspirando, não duvido,
Que me sare quem foi por mim ferido».

3.º quadro: Frei Agostinho da Cruz, adorador da Cruz (1561-1605)

«Amor trouxe a Jesus da glória à cruz,
Amor nos leva a nós da cruz à glória,
Amor nos descobriu glória na cruz,
Amor nos deu na cruz posse da glória».

4.º quadro: Frei Agostinho da Cruz, eremita (1605-1619)

«Agora que de todo despedido
Nesta Serra da Arrábida me vejo
De tudo, quanto mal tinha entendido;

Com mais quietação, livre desejo,
Nela quero cavar a sepultura,
Que não junto do Lima, nem do Tejo.

Aqui com mais suave compostura
Menos contradição, mais clara vista
Verei o Criador na criatura.

As forças cresceram com que resista
A dizer-vos humanos pensamentos,
Para que dos divinos só me vista.

Naqueles mais formosos aposentos
Repouso buscarei acompanhado
Doutros mais saudosos sentimentos».

 

II.

  1. São João Baptista: o Precursor, padroeiro do Arciprestado (Ponte da Barca);
  2. Nossa Senhora da Conceição: o Seio da Evangelização (Vila Chã-São Tiago);
  3. Santa Maria Madalena: Apóstola dos Apóstolos (Lindoso);
  4. Santo André: Pescador de homens (Crasto) ;
  5. São Pedro: Príncipe dos apóstolos (Vade-São Pedro);
  6. São Tiago: Evangelizador da Península Ibérica (Sampriz);
  7. São Judas Tadeu: Apóstolo perseverante (Azias);
  8. São Tomé: Apóstolo do ascetismo (Vade-São Tomé);
  9. São João Evangelista: Apóstolo do amor (Grovelas);
  10. São Paulo: Apóstolo dos gentios (Nogueira);
  11. Santo Adrião: Mártir do fanatismo (Oleiros);
  12. São Mamede: Grande mártir (Cuide de Vila Verde);
  13. São Sebastião: Soldado de Cristo (Paço Vedro de Magalhães);
  14. Santa Eulália: Mártir da boa Palavra (Ruivos);
  15. São Lourenço: Príncipe dos mártires (Touvedo-São Lourenço);
  16. São Silvestre: Evangelizador da Paz (Ermida);
  17. São Vicente: Mártir do paganismo (Germil);
  18. São Martinho: Apóstolo da caridade (Britelo);
  19. São Bento: Arauto da fé cristã (Touvedo-Salvador);
  20. Santo Amaro: Peregrino do Paraíso Terrestre (Bravães);
  21. São Teotónio: Evangelho vivo, padroeiro secundário da Diocese de Viana do Castelo e primeiro santo português (Vila Nova de Muía)
  22. São Francisco de Assis: Evangelizador carismático (Lavradas);
  23. São Domingos: Apóstolo do Rosário (Vila Chã-São João Baptista);
  24. Santo António: Doutor Evangélico (Boivães);
  25. São Roque: Evangelizador da caridade (Entre Ambos-os-Rios);
  26. São João de Brito: Missionário da Boa Nova (Ponte da Barca);
  27. São Bartolomeu: Apóstolo sem fingimento (Ponte da Barca);

Majestosa Procissão em honra de São Bartolomeu
Tema :
“Somos Igreja que Evangeliza – 400 anos de Frei Agostinho da Cruz”
Data:
24 de agosto, sábado
Hora:
18h00
Local: Ruas da Vila

Download do guião da Procissão em PDF